
Eram tantas cicatrizes e dores que já não
latejavam mais, tantas navalhadas no peito, na alma, no físico; que já não
sangravam mais, que não sairiam dali, mas que não implicavam na beleza. Eram
tantos pecados, mil rosários, mil novenas e algumas missas. Quantas velas então
teriam de ser acessas para reparar aquele estrago?
Eu já estava de pé. Eu já estava em mim,
abraçando toda aquela exposição à luz, à vergonha. Eu estava diante de uma
placa de titânio, de um paraíso que nascera de lágrimas, sangue e dor. Eu
estava a frente de uma montanha, de uma geleira inquebrável. Eu era um vulcão
semi desperto, cheio de vida e de tanta história para contar, cheia de coisas
pra ver, com tanta experiência para repassar.
Eu já não me culpava, estava me amando, admirando toda a beleza das
dores, das cicatrizes, dos medos, das conquistas. Eu me amava por tudo, pelas
idas e vindas, pelas coisas boas e ruins. Eu me amava e tinha um grande
respeito pela minha história, por aquele interminável livro de conto de fadas
aonde eu era a princesa, o príncipe, a bruxa, o castelo e o final feliz.
Eu enterrei meu passado em paz, junto, os problemas, com tudo, vesti-me de um vestido de linho amarelo, e sem me importar com o que aconteceria, prometi que não voltaria aquela lápide nem pra me lamentar, tampouco para levar-lhe flores.
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